domingo, 22 de novembro de 2009

ser ...




teu ser...
esculpido em carne viva,
apresentado em facetas hipnóticas,
desdobradas em verdades duvidosas.
seguidora das palavras infinitas,
viciada em pronuncias eloquentes,
e verbos de efeito.
de seblante ...
semelhante,
á agua que se esvai
sem destino
sem proveito.
tempos remotos...
de desejos compatilhados,
esquecidos pela soberba
e pela sede de beber...
na água que se esvai.




de Benedito Carlos

sábado, 7 de novembro de 2009

Pássaro Selvagem

Eu notei você


mais do que devia


com gana impura


o desejo grita dentro de mim


arrasta-me


castiga-me


queria ser pedra:cortada, pisada


nua.


E não apetecer


o teu olhar


o toque dos teus dedos


tua respiração...


Mas avancei o sinal,


violei as regras,


Como todos os apaixonados fazem.


Você complicou,


colocou barreiras,


recuou,


mas nesse lascivo, desconhecido,


obscuro, rude e por vezes doloroso vício


que insisto, persisto


sem lição,


sem guia,


a voar com você:"PÁSSARO SELVAGEM"


que me coloca


apartada das suas asas


me impedindo de fazer "A Nossa Poesia"


Você: PÁSSARO SELVAGEM


Eu: SIMPLESMENTE AGONIA!


Poema de Nandamar do Blog Vento no Litoral

sábado, 24 de outubro de 2009

Coração Vadio

Esse meu coração vadio...

Que permeia sobre os sentimentos alheios. Coração que mesmo desolado, não se cansa de doar-se. Entregar-se sem amor, mas entrega-se como se tivesse, e demonstra isso na perícia do calor. Vadio, usa sutilmente os macetes da paixão, ele gosta de deleitar-se sobre afagos e abraços fervorosos e animados, no entanto viciadores. És vadio viciado pelas veredas da libertinagem, vadio és, nas veias da auto-sabotagem.

Caminhas entre finos braços e lindos lábios, no entanto, vê seu destino, sem rumo, sem prumo, eterno andarilho da brasa, a cada apego do qual de fato não se apega, mais atrasa o fim duma bela fábula. Aquela que qualquer coração, por mais vadio que seja, apetece viver.

Mas vadio que é vadio, não aprende, sofre, geme quieto, mas não se permite deixar de querer o gosto, o molhado da boca alheia, a pele lisa, as pernas, o dorso, a suavidade que o pescoço expressa e o embaraçar dos cabelos. Isso tudo tem o poder hipnotizá-lo, porém não pense que tire sua ciência.

Chora vadio, choras porque sabes teu final. Todo esse seu glamour é o seu próprio veneno fatal, é seu conto mortal, brutal. Conheces bem o caminho para encantar uma dama, és perito no calor. Entretanto, senhor vadio coração, por ser assim tão vadio, terás o teu salário e por sua vez este será...

Morrerás só, em sua cama, morrerás só, não terás nenhuma dama. Irás morrer sem conhecer a essência e a delicadeza que carrega o amor.

Morra vadio, morra, por favor!

Anderson Dias

quinta-feira, 24 de setembro de 2009




"Ainda pior que a convicção do não
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda,
que me entristece, que me mata
trazendo tudo que poderia ter sido
...e não foi!


Luis Fernando Veríssimo

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Morte...




morte...

e a espada cortou o ar com a exatidão do tempo,
o ventou soprou forte, a alma voou livre.
o corpo enraizou,
como a raiz de um carvalho.
o sangue...
se perdeu na noite.

a flecha penetrou na armadura com uma profundidade mortal,
a alma gritou, se foi resignada.
o corpo caíu desfalecido,
no mundo que o recebeu.
o sangue...
borbulhou alimentando o mal que aflije o mundo.

a bala transpassou o alvo em uma trajetória perfeita,
a chuva veio, a alma se perdeu.
o corpo apodreceu,
como a maçã do pecado original.
o sangue...
envenenou a terra.

a palavra foi pronunciada com ira e ódio,
a alma se viu abandonada.
a morte veio,
em uma grande marcha triunfal.
o rio se tornou sangue,
o mar... a mortalha dos homens.

Benedito Carlos Costa

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Tortura


Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento,
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!…

Sonhar um verso d’alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!…

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

Florbela Espanca

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Espectro



Anda um triste fantasma atrás de mim
Segue-me os passos sempre! Aonde eu for,
Lá vai comigo…E é sempre, sempre assim
Como um fiel cão seguindo o seu Senhor!

Tem o verde dos sonhos transcendentes,
A ternura bem roxa das verbenas,
A ironia purpúrea dos poentes,
E tem também a cor das minhas penas!

Ri sempre quando eu choro, e se me deito,
Lá vai ele deitar-se ao pé do leito,
Embora eu lhe suplique:Faz-me a graça

De me deixares uma hora ser feliz!
Deixa-me em paz!…” Mas ele, sempre diz:
“Não te posso deixar, sou a Desgraça!”

Florbela Espancaes - 28/06/1916