quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

BEIJO ETERNO







Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue.

Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse
em paz
Dormindo
em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

...

Diz tua boca: "Vem!"
Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Castro Alves

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Poema XX






Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

domingo, 22 de novembro de 2009

ser ...




teu ser...
esculpido em carne viva,
apresentado em facetas hipnóticas,
desdobradas em verdades duvidosas.
seguidora das palavras infinitas,
viciada em pronuncias eloquentes,
e verbos de efeito.
de seblante ...
semelhante,
á agua que se esvai
sem destino
sem proveito.
tempos remotos...
de desejos compatilhados,
esquecidos pela soberba
e pela sede de beber...
na água que se esvai.




de Benedito Carlos

sábado, 7 de novembro de 2009

Pássaro Selvagem

Eu notei você


mais do que devia


com gana impura


o desejo grita dentro de mim


arrasta-me


castiga-me


queria ser pedra:cortada, pisada


nua.


E não apetecer


o teu olhar


o toque dos teus dedos


tua respiração...


Mas avancei o sinal,


violei as regras,


Como todos os apaixonados fazem.


Você complicou,


colocou barreiras,


recuou,


mas nesse lascivo, desconhecido,


obscuro, rude e por vezes doloroso vício


que insisto, persisto


sem lição,


sem guia,


a voar com você:"PÁSSARO SELVAGEM"


que me coloca


apartada das suas asas


me impedindo de fazer "A Nossa Poesia"


Você: PÁSSARO SELVAGEM


Eu: SIMPLESMENTE AGONIA!


Poema de Nandamar do Blog Vento no Litoral

sábado, 24 de outubro de 2009

Coração Vadio

Esse meu coração vadio...

Que permeia sobre os sentimentos alheios. Coração que mesmo desolado, não se cansa de doar-se. Entregar-se sem amor, mas entrega-se como se tivesse, e demonstra isso na perícia do calor. Vadio, usa sutilmente os macetes da paixão, ele gosta de deleitar-se sobre afagos e abraços fervorosos e animados, no entanto viciadores. És vadio viciado pelas veredas da libertinagem, vadio és, nas veias da auto-sabotagem.

Caminhas entre finos braços e lindos lábios, no entanto, vê seu destino, sem rumo, sem prumo, eterno andarilho da brasa, a cada apego do qual de fato não se apega, mais atrasa o fim duma bela fábula. Aquela que qualquer coração, por mais vadio que seja, apetece viver.

Mas vadio que é vadio, não aprende, sofre, geme quieto, mas não se permite deixar de querer o gosto, o molhado da boca alheia, a pele lisa, as pernas, o dorso, a suavidade que o pescoço expressa e o embaraçar dos cabelos. Isso tudo tem o poder hipnotizá-lo, porém não pense que tire sua ciência.

Chora vadio, choras porque sabes teu final. Todo esse seu glamour é o seu próprio veneno fatal, é seu conto mortal, brutal. Conheces bem o caminho para encantar uma dama, és perito no calor. Entretanto, senhor vadio coração, por ser assim tão vadio, terás o teu salário e por sua vez este será...

Morrerás só, em sua cama, morrerás só, não terás nenhuma dama. Irás morrer sem conhecer a essência e a delicadeza que carrega o amor.

Morra vadio, morra, por favor!

Anderson Dias

quinta-feira, 24 de setembro de 2009




"Ainda pior que a convicção do não
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda,
que me entristece, que me mata
trazendo tudo que poderia ter sido
...e não foi!


Luis Fernando Veríssimo

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Morte...




morte...

e a espada cortou o ar com a exatidão do tempo,
o ventou soprou forte, a alma voou livre.
o corpo enraizou,
como a raiz de um carvalho.
o sangue...
se perdeu na noite.

a flecha penetrou na armadura com uma profundidade mortal,
a alma gritou, se foi resignada.
o corpo caíu desfalecido,
no mundo que o recebeu.
o sangue...
borbulhou alimentando o mal que aflije o mundo.

a bala transpassou o alvo em uma trajetória perfeita,
a chuva veio, a alma se perdeu.
o corpo apodreceu,
como a maçã do pecado original.
o sangue...
envenenou a terra.

a palavra foi pronunciada com ira e ódio,
a alma se viu abandonada.
a morte veio,
em uma grande marcha triunfal.
o rio se tornou sangue,
o mar... a mortalha dos homens.

Benedito Carlos Costa